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O QUE SÃO SISTEMAS COMPLEXOS?

 

Um sistema complexo é um conjunto de unidades que interagem entre si e exibem propriedades coletivas emergentes apresentando um comportamento intrincado.

Através do olhar pela complexidade podemos entender pessoas, dor, performance, entre outros, como um padrão emergente que se organiza a partir da interação de variáveis coletivas. Sistemas Complexos traz uma maneira de pensar e traçar estratégias com a real interação entre esses fenômenos, assim proporcionando ao corpo múltiplas experiências.

Conseguimos observar estes padrões emergentes como resultado da coordenação em movimentos complexos, integrados e suficiente para a demanda exigida do ambiente.

São partes interconectadas (no caso, sistemas que emergem nos movimentos, como músculos, fáscias, ligamentos, sistema nervoso etc.) gerando feedback contínuo em um padrão conhecido como tensegridade.

Neste contexto, podemos elucidar uma necessidade esportiva para um atleta com altas demandas de forças, tempo e raciocínio. O gesto não suficientemente integrado pode trazê-lo à falha, seja em não atingir o objetivo ou colocando-o em risco.

Em outro momento, podemos clarificar uma pessoa de mais idade lidando com os imprevistos do ambiente normal. Neste caso, a menor vivencia motora ou fraqueza global pode levar a riscos, danos, desconforto ou simplesmente à incapacidade de lidar e realizar uma tarefa. O treinamento em sistemas complexos deve resultar em habilidade para lidar com o meio de forma suficiente e atingindo seu objeto, por exemplo, executando uma função.

Esse tipo de treinamento decorre em programas não lineares de exercícios, que simulem a complexidade do dia a dia, seja no esporte ou no cotidiano. Assim, não devemos proteger nossos praticantes, mas preparar e expô-los às situações de alta demanda, de forma gradativa e inteligente.

Comparativamente à musculação, os gestos desta modalidade são simples e lineares, com movimentos padrões que não exigem grande ajuste de variabilidade e resolução de problemas. Uma vez que os músculos estão adaptados em seu novo trofismo pela necessidade da carga imposta, já terá atingido seu objeto. A isto chamamos de reducionismo. Nos sistemas complexos, esse tecido deverá se adaptar às demandas com soluções e experimentação variável ao contexto dos exercícios, pensados de acordo com a vida do praticante.

Assim, o sucesso do treinamento emerge de uma pessoa mais forte e coordenada, sendo que estes conceitos não podem ser dissociados no dia a dia, como acontece em padrões lineares. De um individuo apto para as diferentes demandas, mesmo que as experimente pela primeira vez, pois as soluções estarão  presentes no contexto da variabilidade e do bom uso integrado dos sistemas do corpo.

Neste âmbito, levamos em consideração as mais diferentes possibilidades de treinamento para lidar com as mais diferentes influencias, como questões psicossociais, o sono, os níveis de força, de motivação. É gerado no individuo capacidade de auto-organização, eficiência na troca de informações com o ambiente como uma rede inter-relacionada.

Aumentar a capacidade do organismo frente às demandas é o objetivo principal de nosso trabalho.

LESÕES E A COMPLEXIDADE

As lesões esportivas têm sido pautadas por um paradigma reducionista nos últimos anos com causa e efeito diretamente correlacionáveis, de forma linear, seria possível trabalha-los separados. Assim, se tirássemos esse fenômeno do contexto, poderíamos evitar a lesão.
Para mudar esse cenário, bitencourt et al. (2016) propôs o modelo dos sistemas complexos, onde todas as variáveis de interagem e mudam o padrão emergente resultante de um contexto. O paradigma da complexidade vem sendo utilizado por diversas áreas do conhecimento (ciências sociais, medicina, mercado financeiro e engenharia ambiental) como alternativa para o entendimento de fenômenos mais complexos, nos quais é necessário compreender as relações entre o todo e as partes.
A compreensão de interação é fundamental no pensamento complexo, uma vez que, se dois elementos, A e B, estão em interação, o comportamento de A interagindo com B é diferente comparado ao seu comportamento em uma outra relação.
A estabilidade sem um equilíbrio, através da dissipação de energia, dá aos sistemas complexos a possibilidade de se auto-organizar. A auto-organização é a emergência espontânea de novas estruturas e de novas formas de comportamento em sistemas abertos. Isto é um processo dinâmico.
Um exemplo seria a alta demanda sofrida por um joelho após uma rigidez de tornozelo por causa de uma entorse. Um novo modelo emergiu de uma necessidade para atingir objetivos de tarefas antes superadas com um modelo diferente, que não é mais possível mecanicamente. A isso, haverá uma adaptação, que pode ser positiva ou negativa. O treinamento e a reabilitação tem papel fundamental no direcionamento que isto poderá seguir.
Para isso, o individuo/atleta deve ser analisado de forma global, Diversas variáveis como fraqueza, sono, estresse e momento devem ser integradas no raciocínio da intervenção. Assim, ao invés de buscarmos causas, devemos encontrar relação que aumentam à exposição não adaptada do individuo à uma tarefa potencialmente perigosa. Assim, não buscamos prever fatores relacionados à lesão, mas sim, prever a emergência de uma lesão, com os padrões de interações entre fatores já reconhecidos na literatura. Estes padrões de fatores relacionados ao aumento do risco podem ser trabalhados de forma interdependente e multidisciplinar.

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